Método
Como este inventário foi construído
Esta página existe para que ninguém use o resultado com mais confiança do que ele merece. Ela diz o que foi medido, como, contra o quê, e o que ainda não está validado.
O que é e o que não é
Este é um inventário desenvolvido internamente que reproduz a arquitetura do instrumento de tipos de duas etapas que serviu de referência: quatro dicotomias com índice de clareza de preferências de 1 a 30 em quatro faixas, e vinte facetas — cinco por dicotomia — em escala de −5 a +5 com zona intermediária em 0 e 1. A base teórica é a teoria dos tipos psicológicos de Carl Jung.
Não é o instrumento original, e não deve ser apresentado como se fosse. Os itens, as escalas, a calibração do índice de polaridade e todo o texto interpretativo são próprios desta aplicação. O instrumento original, seus itens e seu texto de relatório são propriedade dos seus detentores e não foram reproduzidos aqui. A nomenclatura das facetas em português foi mantida idêntica, para que os resultados sejam comparáveis aos relatóriosdo instrumento de referência.
Consequência prática: este inventário serve a autoconhecimento e a conversas sobre como você funciona. Não serve como instrumento certificado para decisão sobre pessoas, e não substitui a aplicação por profissional credenciado quando essa credencial for exigida.
Construção dos itens
São 160 itens na forma completa, cada um com duas alternativas opostas ligadas por uma escala bipolar de cinco pontos (os extremos significam "totalmente assim"; o centro, "metade-metade"): 140 itens de faceta, sete por faceta, mais 20 itens centrais de dicotomia, cinco por dicotomia. Cada item entra na pontuação com peso 1 ou 2, o que espelha o peso diferencial do instrumento de referência; cada ponto da escala vale meio peso, de modo que os extremos contribuem com o peso cheio. Os pesos somam 10 por faceta e 60 por dicotomia, e é isso que fixa o alcance dos escores: −5 a +5 nas facetas, 1 a 30 no índice de clareza.
O formato da escala segue o dos instrumentos abertos com melhor evidência publicada (OEJTS; também é o padrão dos inventários comerciais com psicometria documentada). O instrumento de referência usa escolha forçada binária; a escala foi adotada aqui porque captura no próprio item quem é meio-a-meio — que é o que a zona intermediária das facetas relata — e produz o dado contínuo de que a calibração interna precisa. Os construtos dos itens foram conferidos contra as estatísticas de discriminação publicadas do OEJTS (n=25.568), os 40 pares do FPTS (validado contra o instrumento de referência real: 80–84% de concordância por dicotomia) e os pools de domínio público do IPIP.
A forma média usa 100 itens, 25 por dicotomia, e entrega apenas o tipo de quatro letras. Ela não pontua facetas de propósito: quatro itens por faceta não sustentam um escore de faceta. A forma curta, de 40 itens, é uma triagem: usa os 20 itens centrais mais o item de maior peso de cada faceta, e reescala o bruto para a mesma faixa de clareza. Com dez itens por dicotomia, cada resposta move mais o resultado — por isso o relatório dela orienta tratar o tipo como primeira leitura, não como veredito.
O polo da esquerda aparece como primeira alternativa em exatamente metade dos itens, para não induzir viés de posição. As duas alternativas de cada item foram escritas para serem igualmente aceitáveis: nenhuma delas descreve um defeito.
O que foi validado contra dado real
Os 11 relatórios do instrumento de referência disponíveis a quem construiu este inventário foram lidos dos PDFs originais e usados como referência. Dessa comparação, três coisas se confirmam e uma não:
- Faixas de clareza — confirmado. Os 44 escores de dicotomia daqueles perfis (11 perfis × 4 dicotomias) caem todos dentro das faixas Leve 1–5, Moderada 6–15, Clara 16–25, Muito Clara 26–30, sem uma exceção. As faixas usadas aqui são essas.
- Reconstrução do tipo — confirmado. Nos 11 perfis, as quatro letras do índice de clareza reconstroem exatamente o tipo relatado no relatório.
- Dinâmica de funções — confirmado. A hierarquia de funções calculada aqui (dominante, auxiliar, terciária, inferior) coincide com a publicada para todos os 16 tipos.
- Índice de polaridade — aproximado, não replicado. A fórmula original não é pública. A soma dos módulos dos vinte escores já dá um número de 0 a 100, e ela foi ajustada linearmente (0.85 × soma + 17) contra o índice impresso naqueles 11 perfis, para que as faixas de leitura publicadas se apliquem. Nos 11 perfis o erro máximo é de 4 pontos e o médio é de 1,5. Fora dessa amostra, o erro é desconhecido.
O que não foi validado
Estes são os limites reais, e são relevantes para como você lê o seu resultado:
- Os itens não têm estudo psicométrico. Não há, ainda, medida de consistência interna por escala, de estabilidade teste-reteste, nem análise fatorial confirmatória das 20 facetas nesta base. Os itens foram escritos para representar cada construto, e essa é uma afirmação de conteúdo, não de validade estatística.
- Não há normas de população. A comparação normativa do relatório usa a própria base de respondentes deste site e cresce a cada aplicação. Enquanto um tipo tiver menos de 5 perfis, nenhuma faixa é desenhada — aparece um aviso de amostra insuficiente em vez de um número inventado.
- A equivalência de escore com o instrumento original é parcial. As faixas de clareza e a reconstrução do tipo conferem; a distribuição fina dos escores de faceta depende dos itens, que são outros. Uma pessoa pode obter uma faceta 3 aqui e 4 lá.
- Autorrelato mede o que a pessoa reporta. Quem responde pensando no que deveria ser obtém o perfil de quem deveria ser. O índice de polaridade abaixo de 45 é o principal sinal de que vale conversar antes de concluir.
Como interpretar sem errar
- Preferência não é habilidade. Preferir Sensação não significa ser ruim em abstração. O inventário não mede competência em nada.
- Clareza não é intensidade. Um índice de 28 significa que as respostas foram consistentes, não que o traço é forte ou que a pessoa é inflexível.
- O tipo é uma hipótese até a pessoa confirmá-la. Se o respondente não se reconhece, o tipo relatado está errado para os fins práticos — o instrumento não vence a pessoa nessa discussão.
- Quadrante vazio no censo é informação de composição, não de falta. Significa que uma perspectiva não está na sala quando o grupo decide.
- Nunca como critério de decisão sobre pessoas. Nem admissão, nem promoção, nem alocação compulsória, nem desligamento. Isso é limite metodológico, antes de ser política.
Dados pessoais
As respostas e o resultado ficam guardados para gerar o relatório individual e compor o censo agregado. O relatório só abre com o código do respondente; ele não é recuperável por nome ou e-mail. O censo publica apenas contagens, sem nomes.
Pedidos de acesso, correção ou exclusão devem ser encaminhados a o responsável por este site (mvoloch@gmail.com).